Leitura: What Happened, Hillary Rodham Clinton


Há muito tempo eu comprei um livro da Hillary Clinton, chamado Hard Choices, mas ele vai precisar esperar mais um pouco, já que o What Happened (O que aconteceu) me atiçou a curiosidade e passou na frente. Eu não queria esperar até sabe lá quando pra ler sobre as eleições presidenciais nos Estados Unidos de 2016. Já que todo o 'evento' está fresquinho na memória, achei que fazia mais sentido ler agora.

Eu estava muito curiosa pra ler sobre como foi ser uma mulher candidata, e como ela lidou com a derrota. Ela escreve sobre tudo isso e muito mais. Por exemplo, não esperava que teria um capítulo todinho dedicado a dissecar a questão do envolvimento da Rússia na campanha.

Achei o livro ótimo, muito bem escrito, e que dá nome aos bois. Ela não poupa ninguém e ao mesmo tempo assume toda a 'culpa' por não ter sido eleita. Claro que é a versão dela e a gente tem que levar isso em consideração (afinal, criar propostas é uma coisa, colocá-las em prática é outra), mas sei lá - me pareceu muito honesto. A verdade é que gostei do livro muito mais do que esperava (e não pude deixar de pensar - várias vezes - como teria sido um encontro entre a Hillary e a Dilma. Também pensei o quanto seria maravilhoso ler um livro desse estilo escrito pela Dilma, contando sobre o golpe na versão dela).

Ah, uma coisa que eu adorei foi quando ela menciona uma participação que ela fez no Saturday Night Live. Ela contracena com a atriz que interpreta ela, enquanto ela faz o papel de atendente de bar.

Sobre financiamento coletivo


A Renata escreveu sobre a experiência dela fazendo uma campanha de financiamento coletivo (a nossa, é claro), e me inspirou a escrever sobre isso também.

Ao contrário da Rê, eu já tinha um pouco de experiência no assunto. Não apenas como consumidora -já apoiei diversas campanhas assim, como por exemplo a dos meus amigos que abriram um restaurante aqui em Londres e das meninas que criaram um app para ajudar vítimas de violência doméstica no Brasil - mas também como realizadora. No fim de 2016 eu ajudei a criar e coordenar a primeira campanha de financiamento coletivo da LAWA (a ONG onde trabalhei como voluntária por um ano e meio - saí recentemente porque preciso focar no mestrado).

Então quando não conseguimos ganhar o financiamento para o qual nos candidatamos através do Fundo Elas de Investimento, eu propus para a Renata que a gente fizesse nosso projeto - Intercâmbio Feminista - acontecer mesmo assim. Vamos fazer um financiamento coletivo? Ela topou. O bom de fazer algo assim com outra pessoa é que a gente se questionava o tempo todo. A Rê me fez mil perguntas que achava que seriam feitas pelas pessoas que seguem nosso trabalho. E só quando conseguimos responder todas é que nos sentimos seguras para colocar a campanha no ar.

A escolha da plataforma foi fácil: a Benfeitoria era a que mais se aproximava da nossa propostas, pois além de ser uma instituição sem fins lucrativos também nos dá a opção de escolher quanto da nossa arrecadação vamos doar para eles (podíamos não doar nada, mas optamos por 6%). Apesar de alguns poucos pesares (achamos que faltou apoio nas redes sociais), a plataforma em si é ótima, e eles nos deram muito suporte na hora de construir a página.



Depois das recompensas criadas e da página montada, a campanha foi pro ar. E nos 2 meses seguintes eu e a Renata (e a minha mãe) passamos boa parte dos nossos dias atualizando a bendita página. Logo nos primeiros dias de campanha conseguimos arrecadar mais de 20% da meta, o que a Benfeitoria vê como um dos melhores indicadores de que o projeto será bem sucedido. Isso foi maravilhoso, perceber que as pessoas realmente acreditam no que a gente faz. Sim, amigas, colegas e pessoas completamente desconhecidas estavam nos dando seu rico dinheirinho para que a gente viabilizasse um projeto feminista. Não é sensacional?

Claro que há altos e baixos, e quando passavam 3 ou 4 dias sem nenhuma colaboração, as dúvidas surgiam novamente. Lá íamos nós mobilizar os contatos pelas redes sociais (minha, dela e da Conexão Feminista). Pedir ajuda não é fácil, ainda mais quando essa ajuda significa dinheiro. E algo ainda mais inesperado aconteceu: comecei a receber mensagens (tanto de conhecidos como de desconhecidos) de pessoas que queriam explicar a razão de não poder ajudar financeiramente. Isso foi algo estranho: por um lado me senti orgulhosa de ter criado uma comunidade tão engajada a ponto de sentir que nos devia esse apoio financeiro, por outro fiquei arrasada de pensar que estava pressionando quem nos prestigia.

Teve gente que compartilhou com seus próprios contatos, gente que doou mais de uma vez (sim! e mais de uma pessoa), gente que mandou mensagem após a campanha ter encerrado querendo mandar dinheiro pelo paypal (eu aceitei, e aliás ainda aceito caso alguém tenha perdido o prazo), gente que nos mandava mensagens falando que estavam tão ansiosas nas horas finais como nós estávamos. Foi incrível.

Como vocês sabem, nós não apenas alcançamos a meta mínima, como a superamos. Já estamos trabalhando pra fazer as engrenagens desse projeto funcionarem, e ainda temos muito trabalho pela frente. Mas sabendo que temos mais de 170 pessoas que acreditam nos nossos ideais, o que vem por aí fica muito mais fácil.

Ah, se você quiser ajudar a gente, aceitamos doações através do paypal. Basta usar esse link aqui.

Hiking


Uma pessoa no Instagram me pediu para contar porque eu gosto tanto de fazer hiking, como esse hobby começou. Engraçado que eu nunca tinha parado pra pensar nisso! Sair pra caminhar na natureza nos finais de semana tem sido minha atividade preferida ultimamente, e eu espero ansiosa por esses dias. Mas realmente não foi algo que passei a fazer de uma hora para outra, então precisei parar pra pensar, e fazer uma espécie de 'retrospectiva' mental para lembrar de como isso começou.

Em maio de 2013 fomos passar um fim de semana prolongado no País de Gales (nossa primeira vez por lá). A gente foi pra capital, Cardiff, mas percebemos que seria tempo demais pra ficar lá (achamos a cidade legal, mas não foi assim um lugar que nos impressionou), então fechamos com uma agência local para fazer um passeio de um dia para a Península de Gower.

Foi nesse passeio que descobrimos que existe uma trilha que pasa por toda costa galesa, e nós fizemos um pedacinho dela. Lembro de voltar pro hotel em Cardiff completamente encantada com o que eu tinha visto. Estava tão impressionada com a beleza de Gales que logo marquei de passar mais um fim de semana lá pra caminhar por mais um pedaço da trilha.

A segunda vez também foi muito legal (fomos para a região de Glamorgan), e depois que voltamos começamos a comprar roupas melhores e apropriadas para essa atividade. Voltamos mais três vezes desde então, e sempre com o objetivo de fazer caminhada e conhecer mais do interior do país. Cada vez que a gente ia aprendíamos algo novo (geralmente por causa de um erro, como por exemplo levar pouca comida e água na mochila, achar que não precisávamos de jaqueta corta vento porque o dia estava ensolarado e coisas do tipo), e passamos a nos preparar melhor.

Da vez que fomos para a região de Snowdonia, acabamos subindo o Monte Snowdon, e adoramos a experiência. Soubemos que o Snowdon é a segunda montanha mais alta da Grã Bretanha, perdendo para o Ben Nevis, na Escócia. Então, em março de 2016, lá fomos nós para a Escócia com o objetivo de chegar no topo do Ben Nevis.  Foi incrível! Muito mais difícil que imaginávamos, mas nós dois curtimos muito. Estávamos bem equipados e preparados fisicamente. Foi por causa dessa viagem ao Ben Nevis que começamos a considerar seriamente a possibilidade de ir para o Kilimanjaro.

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Mas antes do Kilimanjaro, uma amiga minha que já fazia hiking há mais tempo nos chamou para fazer uma trilha nos arredores de Londres (obrigada, Pri!), isso há pouco mais de um ano. Pronto! Adoramos! Nunca tínhamos nos tocado que era possível fazer esse tipo de programa sem precisar planejar uma viagem. Por mais que a gente ame a Escócia e o País de Gales, não é sempre que dá pra se deslocar.

Agora, cada vez que a gente faz uma dessas trilhas no interior da Inglaterra, já combinamos a próxima. A maior parte das vezes na companhia dos amigos, mas não é sempre que podemos nas mesmas datas. Já fizemos só nós dois, com outros grupos, e eu até já fiz algumas sem o Martin, quando ele estava viajando a trabalho.

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Se há 6, 7 anos atrás você me falasse que eu seria uma dessas pessoas que ama estar no meio da natureza e gastaria meu dinheiro comprando bota de caminhada e jaqueta impermeável, eu iria rir da sua cara. Sempre me considerei uma pessoa 'da cidade'. E agora, apesar de ser feliz morando em um lugar caótico como Londres, fico sempre planejando a próxima escapada pro meio do nada. Eu e o Martin recentemente compramos uma barraca e em breve vamos acampar pela primeira vez (sem contar a expedição do Kilimanjaro, claro, mas lá tudo era feito pra gente - não nos preocupamos em montar barraca ou fazer comida). Nossa próxima viagem juntos é para um lugar especial na Escócia, que estou com vontade de conhecer já há alguns anos, justamente por causa da natureza intocada e das trilhas. Também estamos programando uma outra viagem de aventura para o fim do verão europeu, mas vou falar disso com mais detalhes quando tudo estiver fechado.

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É preciso ter disposição pra acordar cedo no fim de semana, pegar o trem e passar o dia andando. Pode chover, pode estar frio, pode ter muita subida. mas não teve nenhum dia que me arrependi de ter ido. Voltar pra casa com as botas sujar e aquele cansaço gostoso, e também com a sensação de ter conhecido um pouquinho mais do país onde moro, é muito recompensador (ah, e sem contar nas paradas estratégicas no pub pelo caminho!!!)

11 anos depois


Em fevereiro de 2007 eu fiz a cirurgia a laser pra curar a minha miopia (se você quiser ler o post super detalhado do Martin - sim, ele escrevia aqui também - e voltar mais de 10 anos na história desse blog, aqui está). Lembro da sensação de enxergar tudo nitidamente alguns dias depois, e sempre falo pra pessoas que tem medo de fazer essa cirurgia o quanto valeu a pena.

Mesmo agora, que a miopia voltou um pouquinho (pouquinho mesmo, cerca de meio grau) e trouxe com ela um tantinho de astigmatismo (que eu tinha quando era criança), eu não me arrependo de ter passado pela cirurgia. Pois é, cá estou eu de óculos tanto tempo depois!

Notei há alguns meses que estava forçando a vista para tentar focar em algumas coisas, e decidi fazer o exame (aqui fazemos na ótica mesmo, com um técnico, e não oftalmologista). E hoje fui buscar os óculos. Agora estou aqui, me olhando no espelho mil vezes, como alguém que faz um corte de cabelo radical e não se reconhece por alguns dias.

Tô curtindo a 'novidade' e nem penso em usar lentes dessa vez. O grau é baixo e eu não dirijo, ou seja, vou usar pra ver televisão, cinema e assistir aula. Antes da cirurgia eu precisava de lentes o tempo todo porque não conseguia nem reconhecer pessoas na rua. Eu acho óculos um dos acessórios mais charmosos, então tô aqui feliz com os meus!

Faltam 3 dias


Janeiro de 2018, que mês intenso.

Há cerca de 2 semanas nós alcançamos a meta mínima da campanha de financiamento coletivo sobre a qual escrevi aqui em dezembro. Foi uma sensação incrível ver os números mudando, e finalmente atingindo o valor de R$9000 - o que precisávamos pra colocar nossa ideia em prática.

Mas a campanha continuou mesmo assim! Aliás, continua. temos até às 23:59 de quinta feira, dia 1 de fevereiro, para arrecadar o máximo possível, e assim realizar nosso projeto com menos aperto e mais liberdade.

Pra quem não tem ideia do que estou falando, acesse o site da campanha e considere (com carinho!) adquirir uma recompensa. Você vai fazer parte de um grupo de mais de 130 pessoas que está 'assinando embaixo' da nossa ideia. A gente quer mesmo construir algo bacana com a Conexão Feminista, e quanto mais gente fizer parte do nosso time, melhor!

Essa ilustração linda foi criada pela Claudia Senlle, irmã da Renata, para nos ajudar a divulgar a campanha. Fique a vontade pra copiar e usar nas suas redes sociais e compartilhar nosso projeto.


Mochila


Durante o nosso ataque ao cume no Kilimanjaro, uma pessoa do nosso grupo se sentiu um pouco enjoada quando estávamos quase na metade do caminho. A primeira coisa que o nosso chefe de expedição fez foi tirar a mochila dela e entregar para um dos guias, que a carregou até o cume. Já mais pra frente, faltando mais ou menos uma hora pra chegarmos, eu já não estava aguentando mais a minha mochila. Não tinha quase nada dentro dela, mas estava pesando uma tonelada e chegou um momento que eu achava que não conseguiria dar mais um passo sequer. Se eu sentasse, só iria me levantar se fosse pra começar a fazer o caminho de volta. Nesse momento, a pessoa que estava sem a mochila há várias horas (e recuperada do enjôo), se ofereceu pra carregar a minha. Naquela altura do campeonato ela estava mais disposta do que eu, e eu sabia que ela realmente estava afim de me ajudar (estávamos caminhando no mesmo grupo há dias). No minuto que tirei a mochila das costas me senti melhor, foi impressionante.

Passado mais um tempinho, quem começou a sentir o peso da mochila foi o Martin. Ele parava várias vezes pra apoiar a testa sobre as nossas 'bengalas' de caminhada (walking sticks), e eu genuinamente achei em um dado momento que ele ia cair de cansaço. Então eu me ofereci pra carregar a mochila dele naqueles últimos metros - ter me desfeito da minha tinha me dado uma energia extra, e poder ajudá-lo também foi algo que surpreendentemente acabou me motivando a dar aqueles últimos passos até o cume.

Estou contando essa historinha pra fazer um paralelo. Ando pensando muito no fato de que a gente quase não pergunta pras pessoas ao nosso redor como elas estão (como está o peso da mochila delas) - perguntando pra valer mesmo, querendo saber a resposta verdadeira e não apenas a 'educada' (entre muitas aspas porque odeio isso de ter que perguntar/responder por obrigação, odeio a ideia de que não podemos incomodar os outros com os nossos problemas).

A gente meio que acha que sabe como as pessoas estão. E a gente geralmente acha que todo mundo está bem. Concorda? 'Ah, você sabe da fulaninha?' 'Sei sim, ela tá bem, trabalhando....' soa ou não soa comum? Tenho mesmo refletido muito sobre isso, sobre as vezes me pegar me sentindo sozinha sendo que estou rodeada de amigas. E as poucas pessoas com as quais eu dividi esse pensamento concordaram comigo. Tá todo mundo negligenciando todo mundo, a gente segue cada dia achando que 'tá tudo bem'.

Tenho feito um esforço pra sair desse ciclo vicioso. Faço parte de um monte de grupos no whatsapp, e me dei conta que raras são as vezes que tenho conversas particulares, sem ser aquela generalização dos grupos (não que eu não goste do bate papo com turma grande, muito pelo contrário). E noto que algumas pessoas fazem o mesmo, e isso me deixa contente. Receber uma mensagem só pra mim: 'oi, você tá bem? Vamos nos ver?' soa pra mim como 'deixa eu te ajudar a carregar a mochila pra você também chegar no cume'.

Enfim, um pouco de divagação pra dar uma animada por aqui ; )

E vocês, tudo bem?

Leitura: Women & Power, Mary Beard


Um livro que dá pra terminar em um dia (mas eu levei pouco mais de uma semana, ficou passeando na minha bolsa), escrito por uma historiadora bastante famosa daqui da Inglaterra, a Mary Beard. Ela mostra como as mulheres de países ocidentais são sistematicamente caladas desde a época das civilizações grega e romana, derrubando o argumento daqueles que adoram falar que opressão de mulheres só existe em países e culturas distantes das nossas.

Ela questiona também o próprio conceito de poder, que é algo que (modéstia a parte) eu e a Renata falamos sempre na Conexão Feminista.

Enfim, um ótimo livro feminista pra dar aquela acordada no começo do ano. E ah, essa minha cópia é autografada! : )

Sonhos


Em maio de 2017 fui no show do Cranberries aqui em Londres. Fui com a Marina, uma das minhas melhores amigas. Foi uma noite muito especial: uma banda que eu jamais achei que veria ao vivo junto com a minha amiga. Eu lembro que comprei os ingressos no impulso, sem nem pensar muito, quando vi que eles iriam se apresentar, já que era coisa rara.

A gente mal sabia que seria o último show da banda (todos os demais shows da turnê foram cancelados depois desse, por causa de problemas de saúde dela). Pelo menos com a Dolores cantando. Dreams foi última música, e pra mim o melhor momento do show. Essa não é apenas minha música preferida do Cranberries, mas uma das minhas preferidas de toda vida. Eu me identifico demais com a letra.

Oh my dreams, never quite as it seems...

Por sorte, alguém filmou essa música, nesse show que eu estava. Fica aqui pra eu lembrar de como esse dia foi bom, e também da sorte que tenho de poder escutar Cranberries quando quiser.



Oh my life is changing everyday
In every possible way
And oh my dreams
It's never quite as it seems
Never quite as it seems

I know I felt like this before
But now I'm feeling it even more
Because it came from you
Then I open up and see
The person falling here is me
A different way to be

I want more, impossible to ignore
Impossible to ignore
And they'll come true
Impossible not to do
Possible not to do

And now I tell you openly
You have my heart so don't hurt me
You're what I couldn't find
A totally amazing mind
So understanding and so kind
You're everything to me

Oh my life is changing everyday
In every possible way
And oh my dreams
It's never quite as it seems
'Cause you're a dream to me
Dream to me

Leitura: Lincoln in the Bardo, George Saunders


Esse livro ganhou o Man Booker Prize de 2017. Ainda nem li o ganhador de 2016 (tá pegando poeira aqui na minha estante), mas tinha lido tanta coisa boa a respeito desse que resolvi passar na frente (não que eu tenha uma lista dos livros na ordem que quero ler).

É um livro estranho. A maneira como ele está escrito lembra um pouco uma peça de teatro. Então demora pra gente pegar no tranco e entender o que está acontecendo. Quem são essas pessoas? Onde elas estão? O que dá mais contexto pro negócio são os capítulos que possuem citações retiradas de outros livros e jornais da época que a história se passa.

O que a gente sabe: o filho do presidente Abraham Lincoln está doente, durante a Guerra Civil americana. O menino acaba morrendo, e Lincoln, desesperado, passa uma noite no cemitério onde ele foi enterrado.

Acho que se eu contar qualquer outra coisa vou estragar a história pra quem quiser ler. Gostei bastante, apesar de ter demorado pra me adaptar com essa maneira como o livro foi escrito. Então, não desanime nas primeiras páginas: insista que esse vale a pena!




Oi, 2018!


Assim como o Natal, o ano novo foi bem tranquilo e em companhia de grandes amigos. Comemos, conversamos, brindamos, vimos os fogos na televisão (lembrando que ano passado a gente viu os fogos ao vivo, lá na frente da London Eye! Experiência que recomendo muito pra quem mora aqui, pra fazer pelo menos uma vez), e às 2 da manhã estávamos de volta em casa, prontos pra dormir.

Eu gosto muito da passagem de ano e de toda essa atmosfera otimista (por mais que o mundo esteja uma bela bosta e as perspectivas para 2018 sejam desanimadoras). Pessoas traçando metas, fazendo listas, largando hábitos antigos e tentando incorporar novos hábitos. Detesto os chatos que falam que 'você tem que mudar, não o ano'. Eta povo estraga festa!

Não sou de fazer grandes planos pro novo ano. Não sou de fazer grandes planos nunca, na verdade. Gosto de pensar em metas bem simples, acho que pelo simples fato de eu não ser uma pessoas ambiciosa. Pra vocês terem uma ideia, algumas das minhas metas para 2018: parar de colocar açúcar no café (já comecei dia 29/12 e continuo firme e forte), cortar refrigerante da minha vida de uma vez por todas (eu não compro pra ter em casa, mas sempre acabo pedindo quando vamos comer fora e eu não quero nada alcoólico), parar de carregar bolsa grande cheia de tralha (também já comecei em 2017), trocar o colchão e mandar pintar o apartamento (esse tem grandes chances de não acontecer, me dá uma gastura só de pensar na pentelhação que é ter a casa pintada).

Ah, também perguntei pro Martin se ele topava tirar uma 'selfie' por dia, nós dois juntos, e ele topou. Então esse é nosso projetinho juntos.

E vocês, traçam metas pro ano novo?

Natal francês


Desde 2011 eu e o Martin passamos o Natal junto com a Paula e o Filipe, nossos amigos que se mudaram pra Paris poucos meses depois que nós chegamos em Londres. Esse ano foi nossa vez de ir pra lá (desses 7 natais, 5 foram aqui em Londres), e além de passearmos em Paris fomos conhecer o maravilhoso Mont Saint-Michel.

Foi uma semana de férias no total (chegamos em casa há poucas horas), como eu estava ansiosa por essa pausa! Tive um ano muito bom (obviamente sem levar em consideração o momento de merda que assola o mundo todo), mas esses últimos meses estava com dificuldade de recarregar a bateria. Ir visitar nossos amigos pra manter essa tradição foi uma ótima maneira de encerrar o ano.

Aqui uma foto do quarteto em frente ao Mont Saint-Michel. No dia que chegamos o vento estava muito, muito forte, era preciso ter cuidado pra não ser derrubado (sério). Esse lugar estava na minha listinha de desejos turísticos há tempos, e finalmente conseguimos ir! É tão lindo quanto todas as fotos que vi.


Espero que todo mundo que lê esse blog tenha um fim de ano relax. E rodeado de amigos!

Quem é o criminoso?


Estamos em Paris por uma semana, para passar o Natal com os nossos amigos Paula e Filipe - esse será o sétimo Natal que passamos juntos, uma tradição que não pretendemos quebrar.

Bom, ontem eu e o Martin estávamos passeando pela cidade quando ouvimos uns gritos. Olhamos pra trás e vimos dois homens correndo. Um perseguia o outro. O que estava fugindo carregava uma sacola, e o que estava atrás dele vestia um avental. Na hora já entendemos: o da frente roubou algo de uma loja, e o de trás era vendedor da loja e percebeu o roubo.

O vendedor alcançou o que roubou, arrancou a sacola dele e tirou de dentro uma garrafa - o objeto roubado. Mas o que aconteceu em seguida foi o que realmente me chocou: o vendedor começou a bater no cara, que por sua vez se encolheu e não revidou. Foram uns dois ou três tapas. O moço então tentou pegar a sacola de volta da mão do vendedor, mas não conseguiu. O vendedor o ameaçou com a garrafa e então andou de volta para a loja. A gente claro não entendeu o que eles falaram, mas o rapaz voltou junto com ele. Sei lá se ao chegarem na loja o vendedor chamou a polícia. Continuei andando.

Fiquei muito, mas muito impressionada mesmo com o acontecido. Como uma pessoa bate na outra no meio da rua, em plena luz do dia, na frente de todo mundo? Pra mim, o vendedor perdeu a razão no segundo que encostou a mão no rapaz que roubou a garrafa. Isso é um perigo. Quem somos nós pra fazer justiça com as próprias mãos? Ainda que tenha sido um flagrante? Desde quando bater em alguém resolve algum problema? O que será que aconteceu com o 'ladrão' dentro da loja? Não gosto de pensar.

Você pode até argumentar comigo: mas poxa, ele roubou!

Só que de um 'flagrante' para o achismo é um passo. Isso é muito, muito perigoso. Não cabe a ninguém decidir a punição do 'ladrão'. Existe sistema judiciário pra isso. E já é suficiente que tal sistema seja antiquado e que não resolva violência a longo prazo. Isso não justifica que a gente tenha que penalizar outros seres humanos.

Enfim. Não consigo parar de pensar no rapaz. Na cena do vendedor descendo a mão nele, no  meio da rua.

Leitura: Flâneuse, Lauren Elkin


Esse livro estava na lista de leituras complementares de uma das minhas aulas do mestrado. Como era um tema muito bacana e uma amiga também tinha começado a ler e estava gostando, resolvi unir o útil ao agradável.

A ideia de 'flanar' - ou seja, caminhar por um centro urbano sem objetivo, apenas observando o movimento da cidade sem ter exatamente um lugar pra chegar - nasceu em Paris no século 19. O flanador - em francês, flâneur - era o homem burguês, que tinha o privilégio de caminhar sem ser incomodado. E a flanadora, a flâneuse, existia?

Bom, existem várias opiniões a respeito. Há pesquisadores que dizem que sim: que a mulher ocupava as ruas dos centros urbanos também, ainda que sob outra perspectiva. Eu não concordo. Eu não acho que mulheres que estavam na rua pra trabalhar - seja como vendedoras ou como prostitutas ou até mesmo as mulheres ricas que podiam sair, mas tinham que levar acompanhantes (sem falar da roupa desconfortável) - aproveitavam a cidade da mesma maneira do flâneur.

Mas discussões acadêmicas a parte, a ideia do livro da Lauren Elkin é mostrar a experiência de mulheres - de diversas épocas - que tiveram oportunidade de ter essa experiência. Desde a escritora George Sand, que se vestia de homem para poder flanar em Paris sem ninguém encher seu saco, até Virginia Woolf em Londres e a própria autora em Tóquio, ela explora essas histórias e mostra que as mulheres também ocupam espaço na cidade.

A introdução do livro é sensacional. É praticamente a aula que eu tive sobre isso em algumas páginas. Mas os capítulos - cada capítulo dedicado a uma cidade em conjunto com uma protagonista da qual ela 'segue' os passos - vão ficando repetitivos. Ela mistura muito suas experiências pessoais ao longo da narrativa e eu achei que isso não ficou muito bem encaixado. Fora que em alguns capítulos fica monótono mesmo, como em um que ela descreve um filme, cena a cena. Em algumas partes eu achei que ela perdeu o fio da meada completamente: parecia que não estava mais descrevendo a relação daquela mulher com aquela cidade, mas apenas mostrando o seu conhecimento intelectual sobre o trabalho produzido por aquela mulher.

Acabei levando muito mais tempo do que achava que ia levar pra terminar esse livro. Claro, tem o mestrado na parada e o desgaste mental - as vezes não tenho vontade de ler nada e só quero ficar vendo porcaria na televisão e na internet - mas me conheço e sei que se eu tivesse me interessado mais teria terminado antes.




Queen, mais uma vez


Em janeiro de 2015 a gente foi no show do Queen (com o Adam Lambert como vocalista), e eu achei que jamais eles tocariam de novo. Mas eis que resolveram fazer mais uma turnê mundial para comemorar os 40 anos do álbum News of the World (com o famoso robô na capa), e lá fomos nós de novo. Como da primeira vez, foi maravilhoso. Emocionante, com todas as músicas que a gente ama e canta de cor.

Eu achei que dessa vez o público estava menos animado, pelo menos nas primeiras músicas. Demorou pra galera pegar no tranco!

Bom, fiz alguns snaps e resolvi compilar. Então aqui está um videozinho bem tosco com alguns momentos do show. Desculpem-me os 'UHUUUUUUUS' e a voz tentando acompanhar algumas partes das músicas. Na verdade, acho que esse post é mais pra mim do que pra vocês : )


Agenda cheia


Uma das coisas que quero fazer em 2018 é fazer menos coisas. Esses dias eu peguei minha agenda do ano que vem e comecei a anotar os compromissos que já tenho: alguns shows, meia maratona, exposições e até encontros com amigas. Vai ser um ano atribulado, de dissertação pra escrever, projeto do Conexão Feminista para colocar em prática (estou esperançosa de que vamos alcançar a meta!) e provavelmente algumas viagenzinhas.

Eu sempre tenho a impressão de que 'daqui duas semanas vai estar mais tranquilo', mas nunca acontece. Vou marcando compromissos e quando em dou conta mal tenho tempo pra mim, pra ficar em casa e ficar com o marido vendo televisão. Morar em Londres catalisa essa sensação de que estamos perdendo algo muito bom se ficamos em casa. Tem sempre alguma coisa incrível rolando.

Óbvio que é ótimo estar com as amigas e ter uma vida social agitada, mas preciso aprender a priorizar. Meus treinos de corrida foram muito prejudicados esse ano, e em 2018 eu quero que isso seja o que me faz dizer não para marcar outros compromissos, e não o contrário.

E vocês, sentem isso também?

Intercâmbio Feminista


Há uns meses eu e a Renata inscrevemos a Conexão Feminista em um edital do Fundo Elas, voltado para projetos que contemplassem ativismo feminista. Foi a nossa primeira experiência do tipo (até porque é raro encontrar edital que aceite projetos de grupos informais como o nosso), e infelizmente não fomos selecionadas. Mas a gente gostou tanto do projeto que criamos, que decidimos tentar novamente, mas dessa vez através de financiamento coletivo.

Então nós reescrevemos o projeto, deixamos tudo mais redondinho e com a nossa cara, e ontem colocamos no ar a campanha! O projeto se chama Intercâmbio Feminista, e a ideia é que a gente visite algumas ONGs e associações de mulheres no Reino Unido (a princípio: afinal, se der certo, nada impede que a gente faça isso em outros países também!). Vamos fazer o nosso clássico bate papo ao vivo no canal e também produzir ebook e vídeo-documentário. Queremos quebrar essa barreira geográfica e cultural e entender as melhores práticas, compartilhar experiências e soluções com outras ativistas que dedicam a vida ao feminismo.

Claro que colocar esse tipo de campanha no ar dá um frio na barriga: e se ninguém apoiar? E se acharem nosso projeto desinteressante? Mas o primeiro dia foi surpreendente, e agora não podemos deixar a peteca cair. Temos até dia 1 de fevereiro de 2018 pra alcançar a meta mínima (que é de R$9000) e tirar o Intercâmbio Feminista do papel.

Então obviamente que eu tinha que falar sobre isso aqui no blog. Se você puder, faça uma contribuição (as recompensas são bem legais, modéstia a parte) ou compartilhe o link com os amigos, ou nas suas redes sociais. Todo mundo sabe que não há propaganda melhor do que o boca a boca. Quem sabe ainda hoje conseguimos alcançar 20% da meta?

Conto com vocês! E o link é: benfeitoria.com/feminista


Leitura: Girl Up, Laura Bates


Se você lê esse blog faz tempo, talvez tenha reconhecido o nome da autora, Laura Bates. Eu já falei dela aqui várias vezes. Foi a Laura Bates que criou o projeto Everyday Sexism e depois escreveu um livro sobre o assunto (que pra mim é um oráculo feminista). Sou muito fã dela e corro atrás de tudo que ela escreve (ela frequentemente publica no Guardian e também no The Pool - onde eu também já publiquei, o que me deixa sim muito orgulhosa!). Então, quando ela lançou esse segundo livro, Girl Up, eu comprei mesmo sabendo que era direcionado para adolescentes.

O livro acho que ficou mais de um ano esperando na minha estante, e achei que agora era uma bora hora, já que tenho tentado escolher livros que me tragam muito mais prazer do que os textos acadêmicos do mestrado.

Bom, como eu disse, Girl Up (aliás, esse título é ótimo, é uma alternativa ao termo "Man Up"ou, em bom português, "seja homem") foi escrito para adolescentes. Fala sobre como a mídia contribui para que as mulheres sejam objetificadas, fala sobre pornografia, fala sobre body shaming, fala sobre cyber bullying, fala sobre feminismo. Ou seja, é basicamente um guia para adolescentes compreenderem o mundo machista que vivem.

Eu praticamente não tenho contato com adolescentes, mas acho que é muito necessário saber como lidar com as mulheres nessa faixa etária e saber o que está acontecendo. Afinal, "na minha época" felizmente não existia internet. Quer dizer, existia, mas não era parte da minha realidade. Nada de redes sociais, nada de emails, muito menos haters. Não consigo imaginar como deve ser ruim ser adolescente E ter que lidar com isso.

Enfim, fica essa dica preciosa para quem convive com meninas e adolescentes. Seja filha, prima, filha da amiga, sobrinha.... vale a pena dar uma lida e tentar abrir um canal de comunicação.

Ganhei um prêmio!


Há uns meses (não lembro direito quando, talvez julho ou agosto) recebi a notícia de que estava concorrendo a um prêmio. Quer dizer, eu não, a Conexão Feminista. Mas como o prêmio é organizado por uma instituição aqui em Londres (Focus Brasil), obviamente eu fui colocada como "responsável", caso ganhasse.

A categoria que estávamos concorrendo era "Fenômeno Digital", e como tinha um monte de gente bacana nessa mesma categoria, achei que não rolaria. Claro, pedi votos nas redes sociais (a primeira fase era voto popular) mas não insisti muito. Pra minha surpresa, em outubro saiu o resultado de que havíamos passado pra segunda fase, junto com outros dois finalistas (um dos quais o podcast Chá com Rapadura, que eu adoro e é muito bombado). E, poucos dias depois, saiu o resultado: a comissão da Focus Brasil escolheu a Conexão Feminista pra levar o prêmio!!!

E então chegou o dia da cerimônia de premiação, e lá fui eu receber o troféu (bem bonitinho). Meu primeiro troféu! E o melhor: tive o privilégio de dividir esse momento com um monte de amigas queridas que foram lá me prestigiar (infelizmente não tirei foto com todas...)

É isso. Agora com licença que eu vou lá no Linkedin atualizar meu perfil e avisar que meu passe está mais caro : )




Leitura: Woman at Point Zero, Nawal El Saadawi


Antes de falar do livro preciso dizer que estou orgulhosa de conseguir um tempinho pra continuar lendo coisas fora dos textos obrigatórios para as aulas do mestrado. Mas também estou escolhendo livros mais curtinhos, que sei que não ficarão meses indo pra lá e pra cá comigo dentro da bolsa.

Comprei esse recentemente, apesar de ter uma pilha imensa na minha estante, tem livro eserando a vez a vez há mais de um ano. Mas parecia interessante e facinho de ler, então passou na frente. A história parecia promissora: uma mulher presa no Egito, poucas horas antes de sua pena de morte ser executada, conta sua história para a psicanalista que visita a prisão. Uma história sofrida, com abusos sofridos desde a infância, prostituição e muita violência.

Mas, infelizmente, achei que a autora (ou talvez a tradução) não conseguiu colocar emoção. Uma história tão sofrida, mas que deixa demais a desejar. Não senti conexão alguma com a personagem, e achei todo o enredo meio confuso. Também achei que faltaram mais detalhes, mais descrições. Faltou vida, por mais abstrato que isso soe.

Uma pena...




3 semanas


O Martin viajou a trabalho por 3 semanas (já faz quase uma semana que voltou). Não consigo me lembrar de nenhuma outra ocasião que a gente tenha ficado separado por tanto tempo.

Eu fiquei sim com muita saudade. Mas, como comentei com uma amiga, não foi de todo ruim. Calma! Não decidi que quero morar em casas separadas : ) foi apenas um tempo bom para fazer uma reflexão e me dar conta que eu sou eu sem ele. Deu pra entender?

O negócio é que quando a gente está há tanto tempo junto com alguém (e acho que no caso de famílias sem filhos isso acaba ficando mais forte), a gente meio que vira 2 em 1. No nosso caso, "Helô e Martin". Sacam? Parece que é uma personalidade só, um gosto só. E sim, claro que um influencia o outro: eu absorvi muito do jeito Martin de ser e vice versa (isso tem lado bom e lado ruim, mas agora não vem ao caso), e a gente meio que acaba se acostumando. Por isso, quando ele ficou esse tempo fora, eu acabei percebendo que ainda sou eu sem ele. Tô filosofando demais?

Pode parecer coisa pequena, mas eu me virei pra fazer as refeições. Eu NUNCA cozinho. Assim como ele NUNCA bota roupa pra lavar. Bom, eu precisei cozinhar, afinal não há orçamento que aguente comer fora todos os dias. E ele precisou lavar as roupas, afinal não tinha cuecas suficientes para 3 semanas : )

Claro que é maravilhoso "funcionar"como um casal. Acho que a partir do momento que essa engrenagem enguiça, a gente precisa repensar se vale a pena estar juntos. Mas é também muito gratificante saber que ainda funcionamos sozinhos. Quem sabe da próxima eu até arrisco fazer um bolo? (eu pensei em fazer dessa vez mas me dei conta de que não sei mexer na batedeira profissa dele)