Tentativas


Esses dias me dei conta de quanta coisa diferente estou experimentando esse ano. Algumas deram certo, outras não gostei, mas o fato é que ando mais animada para tentar fazer atividades que há alguns anos teria dito não sem pensar duas vezes. Sei lá porque.

Hoje por exemplo vou pela segunda vez fazer escalada indoor. Fui pela primeira vez semana passada e achei bacana (estou querendo encontrar algum exercício que me faça mexer os braços), apesar de que é intimidante ir subindo com todo mundo olhando lá embaixo.

Outra coisa nova que fiz foi passar um fim de semana em um barco, para aprender o básico de velejar. Achei uma escola na Isle of Wight (uma ilha no sul da Inglaterra) dedicada a ensinar apenas mulheres, então lá fui eu. Dessa vez não gostei muito. Quer dizer, gostei de estar no barco, mas não gostei do esporte em si.

E sem contar o Kilimanjaro né? Que além do trekking em si envolver diversas coisas novas, que eu nunca tinha feito antes (e que sempre jurei de pé juntos que não era 'meu estilo') como por exemplo acampar e (pasmem) tomar sopa.

Acho que estou tentando aproveitar ao máximo essa vida boa antes de começar o mestrado daqui a pouco mais de um mês (outra coisa nova!). Tô com uma ânsia de leitura, tentando terminar o máximo de livros que puder, com medo de não ter tempo de ler mais nada que não seja relacionado ao curso no próximo ano.

Queria ter mais vontade de contar todas essas experiências novas em detalhes aqui no blog. Elas acabam sendo compartilhadas nas redes sociais, e parece que quando escrevo aqui, já não é mais novidade. Mas enfim, o registro está feito, ainda que superficialmente!

Leitura: Anything is Possible, Elizabeth Strout


Eu li um livro dessa mesma autora (My Name is Lucy Barton) ano passado, e adorei. Acho que já comentei anteriormente o quanto gosto de histórias desse tipo, de vidas "ordinárias". Tipo o Stoner, que também é sensacional. Admiro demais escritores que conseguem transformar "vidas simples" (Eu coloco entre aspas porque não sou tão boa escritora e não consigo achar uma expressão melhor que essa. Vida simples nesse caso não quer dizer desinteressante, apenas o tipo de coisa que geralmente não encontramos na ficção) em histórias bonitas, gostosas de ler.

Então, quando vi esse livro, comprei sem nem ler a contra capa. E pra minha surpresa, ele tem uma ligação com o My Name is Lucy Barton. Não que você tenha que ter lido um para entender o outro, mas eles tem uma conexão. São várias pequenas histórias de pessoas que estão conectadas de alguma maneira. Por exemplo, o irmão da Lucy Barton. Aí no próximo capítulo é a história do vizinho desse irmão. E assim por diante. O personagem é figurante em um capítulo e principal no próximo. Achei muito bom mesmo e li em menos de uma semana (tudo bem que ter feito uma viagem de trem ajudou né, usei as 2 horas da ida e as 2 horas da volta pra adiantar bem a leitura!).




Martin emocionado


Desde que voltamos do Kilimanjaro, o Martin tem feito alguns vídeos da viagem, que estavam sendo produzidos e publicados em ordem cronólogica. Logo que chegamos ele estava naquela empolgação (que eu também tava né? Escrevi um post atrás do outro lá do Aprendiz de Viajante) e os primeiros vídeos saíram bem rapidinho, um atrás do outro.

Aí, finalmente, ficou faltando só o último vídeo. O vídeo do ataque ao cume. O mais esperado! Só que tinha um problema: a gente tinha pouco material, pois a subida ao cume é uma coisa meio surreal e a última coisa que a gente pensava era fotografar ou filmar. Até porque é uma função tirar as luvas, pegar a câmera no bolso do casaco... e estava muito escuro, e as nossas câmeras não são aquelas mega potentes. Não sei se já falei, mas logo em uma das primeiras paradas que fizemos, eu tirei minha luva pra pegar um lanchinho na mochila, e vi que as minhas mãos estavam brancas, congeladas. Aquela visão me assustou muito e eu decidi não tirar mais as luvas dali em diante. Só fui fotografar de novo quando o sol nasceu, e o Martin a mesma coisa com a filmagem.

Mas enfim, o vídeo saiu, e a solução foi muito boa, rolou uma narração do Martin e uma declaração engraçada que envolve ele dizendo que nunca havia se emcionado tanto assim, nem mesmo no dia que se casou (valeu, amor!!!).

Aí está, o vídeo do cume... prepara o lencinho se você é de chorar!

Mantchestá


Não é Manchéstêr. É Manctchestá! Ou Manchester mesmo, se você tiver a pronúncia apropriada (que eu não tenho). Bom, estive lá no último fim de semana. Foi uma dessas viagens que as vezes faço pelo Aprendiz de Viajante, como já expliquei aqui.

Achei Manchester um mix de Hamburgo (prédios de tijolo vermelho), Munique (não sei explicar exatamente o porque, mas achei parecido) e Bristol. Ou seja: muito legal. Fiquei realmente encantada de como a cidade é "cool", e do tanto de atração turística que tem. Também fiquei impressionada - a mesma palavra mas com um sentido diferente - com a pobreza. Não esperava ver tantos moradores de rua, acho que ainda mais (porporcionalmente) do que em Londres.

Tive a oportunidade maravilhosa de ver a casa onde surgiu o movimento sufragista liderado por Emmeline Pankhurst e também a casa onde morou Elizabeth Gaskell. Só isso já valeu o deslocamento!

Eu não estava em Manchester sozinha, o Visit Manchester convidou um total de 75 blogueiros e instagrammers. E sim, tem muito a ver com o atentado que aconteceu no show da Arianna Grande há um tempo, que atingiu o turismo na cidade em cheio.

Bom, no que depender de mim, vou insistir pra todo mundo que tem uma viagem planejada a Inglaterra ir pra lá. Eu espero voltar em breve com o Martin a tiracolo!

Ah, pra quem tem Instagram, vejam a hashtag #workerbeeweekender, que foi utilizada por todo mundo que passou esse fim de semana lá junto comigo!







Leitura: Les Parisiennes, Anne Sebba


Vai parecer contraditório, mas esse livro é cansativo e muito bom. Demorei muito pra terminar (curiosidade: ele foi pro Kilimanjaro comigo, achei que teria tempo de sobra pra ler quando estivéssemos nos campings, mas não peguei ele um dia sequer durante e expedição. Estava tão absorvida na aventura que nem lembrava do livro), e gostei muito mais dele do meio pro final.

Les Parisennes abrange toda a década de 1940 em Paris - óbvio - e mais precisamente como as parisienses viveram e sobreviveram a ocupação da cidade pelos nazistas e os campos de concentração. E, o que pra mim foi o mais interessante, como elas foram parte vital para o movimento de resistência e espionagem.

O livro é cansativo porque cita centenas de nomes em todos os parágrafos. E as vezes esses nomes aparecem várias vezes e fica impossível lembrar o que a autora havia falado da pessoa lá no começo. Ainda mais que eu tive essa pausa na leitura durante o Kilimanjaro, quando retomei fiquei perdidinha.

A parte após a libertação de Paris e logo depois o fim da guerra também me impactou muito. A misoginia e o descaso do governo e da população com as mulheres sobreviventes e resistentes chega a doer no estômago. Quando a gente fala que a história é escrita por homens, sobre homens e para homens não estamos exagerando. Leiam esse livro e vocês terão uma ideia de como o legado de mulheres é apagado e esquecido.




Limitações bloguísticas


Lembro quando um colega de trabalho lá no Brasil me falou: achei seu blog. Sabe quando dá aquele embrulho no estômago, aquele calor interno, que a gente só sente quando alguma coisa deu muito, muito errado? Isso era lá por 2007 e ainda era relativamente fácil manter um segredo digital. O que facilitava muito a minha vida, eu escrevia qualquer bobagem e transformava qualquer episódio da vida cotidiana em post.

Tinha várias amigas e amigos próximos que não sabiam do blog, nem minha família, nem chefe, nem ninguém. Hoje o negócio é bem diferente! O que eu acho ótimo, mas por outro lado tira a espontaneidade dos posts. Pelo menos no meu caso. Não que eu queira falar mal das pessoas (talvez), mas dá medo de usar uma conversa, uma briga ou uma curiosidade da vida alheia como inspiração. Até porque quando a gente escreve, a turma lê e interpreta como quer. 

É aquela coisa né? Tipo publicitário famoso que fala que empoderamento feminino é clichê porque não consegue mais vender campanha com mulher de biquini pra vender de carro a cerveja. Tem que exercitar os neurônios e tentar ser um pouco mais criativo. No meu caso, preciso achar um jeito de encontrar graça na rotina pra fazer esse blog seguir em frente sem a anonimidade pra me proteger : )

Fenômeno Digital


Não sou eu (nem minha mãe) que estou dizendo. É o povo do Brazilian International Press Award que achou que o conteúdo que eu e a Renata produzimos no Conexão Feminista é bom o suficiente para concorrer a um prêmio na categoria Fenômeno Digital (voto popular).

Fenômeno Digital!! Influenciadora? Pfff, que bobagem. Sou fenômeno. Ou melhor, concorrente a fenômeno.

Então queridos leitores, que eu desaponto com falta de posts dia após dia, já que vocês tem tempo de ler esse blog, cliquem aqui nesse link e votem em mim (tem outras categorias também). Eu juro que se eu me tornar um fenômeno premiado o sucesso não vai me subir a cabeça. Talvez suba. Ok, não prometo nada, mas vou mendigar voto mesmo assim.

VOTA VOTA VOTA (e vota de novo amanhã)

Kiliqueridos


Se viajar com amigos já é algo arriscado, imagina viajar com um grupo de mais de 20 desconhecidos? Passar perrengues, ter conversas escatológicas, fazer todas as refeições juntos... tem tudo pra dar errado! Mas, pra minha surpresa, deu certo.

Com a Pati, que me falou "eu amo Londres" na noite antes de começarmos a expedição, ainda no hotel. Daí pra frente, ladeira acima (literalmente e metaforicamente)

O Sérgio sentou ao nosso lado no jantar no hotel, no dia que todo mundo chegou e ninguém se conhecia. Há cerca de 5 anos ele foi diagnosticado com um linfoma, e decidiu que caso se recuperasse, iria pro Kilimanjaro. Check!
Não sei se em outro contexto esse grupo teria dado certo. Obviamente não jurei amizade eterna pra todo mundo - sempre tem gente com quem temos mais e menos afinidade - mas terminamos nossa expedição sem desentendimentos. 

Quando a expedição chegou ao fim, todo mundo foi pra casa. A Mari e o Paulo foram pro interior da Tanzania e construíram uma escola. Como não jurar amizade eterna? Mais dois integrantes da querida turma do fundão. Chegamos junto com eles no cume (e com a Fabi, mas não tenho foto dela!!), nunca vou esquecer. 
Alguns dos integrantes da expedição ja se conheciam de uma viagem anterior para o acampamento base do Everest, mas muitos de nós tivemos um dia apenas para decorar os nomes e trocar aquelas informações básicas (da onde você é? o que você faz? já fez alguma outra viagem desse tipo?). E aí, de refeição em refeição, de trekking em trekking, começam as conexões "especiais". A gente acaba sentando do lado das mesmas pessoas no almoço, no café e na janta. E nas paradinhas pra água ao longo dos muitos quilômetros rumo ao cume, quando nos damos conta estamos descansando junto a essas mesmas pessoas.

Eu adorei dividir essa experiência com cada um deles. Longas horas de papos profundos com alguns, diálogos mais curtinhos com outros, mas a vontade é de voltar no tempo e fazer exatamente a mesma viagem como exatamente o mesmo grupo.

Eu, Paulo, Mari e Pati. Muitos lanchinhos divididos nessas paradas

Mestrado


Pois é, eu vou fazer um mestrado. Que alívio que me dá falar isso, depois de um fim de 2016 e começo de 2017 meio chatinhos. Agora, com a decisão tomada (e, mais importante, com a vaga conquistada oficialmente), sinto que tenho controle da minha vida novamente (olha o drama!).

Mas vamos ao que importa. O nome do meu curso é Gênero, Mídia e Cultura (em inglês: Gender, Media and Culture). Eu estava procurando algum curso sobre história do Feminismo, e quanto mais eu colocava no Google, mais esse resultado aparecia. Nas primeiras buscas eu ignorei o resultado assim que vi o "MA" (abreviação em inglês que indica que o curso é um mestrado), mas toda palavra chave que eu colocava, resultava nele.

Até que resolvi entrar no site e dar uma olhada. E parecia perfeito pra mim. Não apenas as matérias, a essência e as possibilidades de tese, mas pra melhorar a universidade é bem perto da minha casa. Olhei os requisitos necessários, vi que não teria grandes burocracias para me candidatar e corri atrás dos documentos: diploma, referências, uma carta explicando a razão do meu interesse. Somei a esse material todas as colunas que já publiquei no Brasil Observer, os hangouts do Conexão Feminista e tudo mais que eu achei que poderia me ajudar.

Mandei tudo e precisei esperar. E essa espera foi horrível. Não sabia o que fazer: continuava procurando emprego? E se conseguisse um trabalho e também a vaga do mestrado? E se não conseguisse nenhum dos dois? Receberia o atestado de fracassada pelo correio (drama, parte 2)? Resolvi não falar pra muita gente, porque tinha medo de não ser aceita e depois ter que lidar com todo mundo perguntando "e o mestrado?".

Aí, finalmente, 3 meses depois, chegou a resposta. Mal tive tempo de comemorar, pois a oferta da vaga vinha com uma condição: fazer o IELTS, o exame de inglês sobre o qual já falei aqui. Por essa eu não esperava, e tentei argumentar com a universidade. Mandei meu certificado de Cambridge, mandei as matérias que escrevi em inglês quando estava trabalhando e tudo mais que me ajudaria a provar que sim, que eu tenho capacidade de fazer um mestrado em inglês. Mas não adiantou e lá fui eu fazer a prova. Como vocês já sabem, no fim deu tudo certo.

Então é isso. Estou aproveitando e muito meu verão inglês antes que as aulas comecem no fim de setembro. Ando com a agenda cheia: encontros, shows, meus compromissos com a LAWA, meus frilas, blog, Conexão Feminista e umas viagenzinhas a vista antes da vida acadêmica começar. Mas já estou tendo um gostinho de como vai ser, pois essa semana recebi email do coordenador do curso, solicitando uma dissertação e "recomendando" diversas leituras.

Ah, os livros. Vou sentir falta de ler o que eu quiser, quando eu quiser. Será um ano intenso. Já me dá saudades do limbo.

Leitura: Quando a Lua Canta para o Lobo (Uma Ópera Licantrópica), Bárbara Axt


Esse é um livro especial. Primeiro, porque foi escrito por uma amiga, a Bárbara. Segundo, porque foi o primeiro livro que li em formato digital. Não, não me tornei adepta ao Kindle ou afins, mas é que tive o privilégio de ser uma "beta reader". Isso quer dizer que a Bárbara me mandou o manuscrito, para que eu lesse e desse minha opinião. Legal, né?

Confesso que estava um pouco ansiosa: e o medo de não gostar de um livro escrito por uma amiga? Eu já sabia (e ela também) que esse não é o estilo de leitura que eu gosto (fantasia/sobrenatural), mas eu jamais deixaria passar uma oportunidade dessas.

E não é que eu gostei, e muito, da história? Li em questão de dois dias, coisa bem atípica pra mim. Eu ia lendo e mandando perguntas/comentários pra Bárbara, e fiquei super empolgada de acompanhar a produção. Afinal ela não só escreveu como também produziu e lançou de forma independente. Ou seja, o livro está sendo vendido diretamente pelo site dela, tanto em formato impresso como em ebook. Você pode comprar aqui e apoiar uma escritora!

O livro se passa em Londres, envolve estudantes de música e tem muuuitas curiosidades sobre a cidade. A Bárbara fez ums pesquisa detalhada sobre os lugares por onde os personagens passam e sobre acontecimentos verídicos em alguns desses lugares. E tem romance. Só que não é qualquer romance.

Enfim. Leiam. Comprem de presente, espalhem a notícia. O mundo precisa de mais livros de autores "desconhecidos", e ainda mais de mulheres. Vamos mostrar para livrarias e editoras o que estão perdendo em não apoiar novos talentos.

O zig zag da montanha


O avanço ao cume do Kilimanjaro é algo que registramos pouco em fotos e vídeos, mas é a parte da viagem que está gravada na memória com mais força. Uma das imagens mais fortes, que imediatamente me vem a cabeça quando começo a falar dessa noite/dia de escalada, é um zig zag de pontinhos iluminados montanha acima.

Eu explico: como saímos do acampamento base a meia noite, é preciso usar a lanterna de cabeça no percurso até a luz do dia dar as caras. A gente não vê nada, apenas aquele foco de luz saindo da nossa testa e iluminando os passos da pessoa que está na nossa frente. Ficamos de cabeça baixa o tempo todo, concentrados, em silêncio, apenas ouvindo nossa própria respiração - que custa a sair - e também a dos companheiros. Falamos apenas o necessário (como: preciso parar um pouco), com medo de que qualquer interrupção atrapalhe a caminhada que vai a passos muito lentos.

Em um desses momentos, meu pescoço começou a doer, afinal a gente fica olhando pra baixo. Resolvi dar uma esticada e olhei pra cima...

Lá estava, o zig zag de pontinhos iluminados. Eram pessoas que estavam mais avançadas do que a gente, bem mais pra cima, e suas lanternas demarcavam o desenho da trilha. Naquele momento eu não sabia se ria ou chorava: era algo bonito de se ver, mas me fazia pensar que eu tinha ainda aquilo tudo pra subir. E era uma parede, e não uma ladeira. Sabe quando você está parada no engarrafamento e só consegue ver a luz vermelha dos carros parados até perder de vista?

Nesse caso, a impressão que eu tinha é que a encosta do Kilimanjaro era totalmente vertical. Bateu um desespero, mas eu não conseguia parar de olhar. Era muito bonito. E havia um ponto onde as luzinhas das lanternas se misturavam as estrelas. Ali, com pouco oxigênio, meio desidratada, muito cansada e com muito frio, a gente dá umas alucinadas. Fixava meu olhar em um pontinho e não sabia se era uma estrela ou uma pessoa já quase chegando na cratera do Kilimanjaro, mais precisamente no Gilman's Point, a primeira parada do topo.

O consolo é que haviam pontinhos abaixo de nós também. Eu me pergunto se eles olhavam pra cima e sentiam a mesma coisa que eu senti naquele momento.

Já na cratera do Kili, chegando no Uhuru Peak, o ponto mais alto. Lá na frente está o Monte Mawenzi.



Mulheres incríveis e seus legados: um passeio guiado em Londres


Modéstia a parte, eu sou uma pessoa que vive tendo ideias. Tenho ideia para uns 50 guias de viagem, de produtos para vender, de palestras, de projetos pro blog. Mas da ideia para a prática, como muita gente sabe, a história é outra. Por isso, quando eu alcanço uma meta, como a publicação do meu guia em 2015, minha primeira meia maratona ano passado e o Kilimanjaro esse ano, eu falo e fala e falo sem parar sobre isso.

A ideia concretizada mais recente é o lançamento de um passeio guiado em Londres. Estava pensando nisso acho que há mais de um ano, e finalmente - depois de vários testes e muita pesquisa - anunciei três datas. Esse passeio une duas das coisas que mais amo, Londres e feminismo. Não é maravilhoso?

O passeio chama "Mulheres incríveis e seus legados". Tem 3 horas de duração, e feito todo a pé pelo centro de Londres (começa na estação de Green Park e termina na ponte de Westminster) e em 15 paradas a gente passa por monumentos, casas, museus e lugares icônicos para falar de muitas mulheres que fizeram muito pela humanidade.

O valor pessoa é de £14, que eu peço que sejam pagos antecipadamente. Todas as datas (até agora são 3: 20/7, 6/8 e 30/9) tem seu próprio evento na página do Facebook do Conexão Feminista, juntamente com o link para fazer o pagamento. Caso você não acesse o Facebook, fale comigo!

E quem não estiver em Londres em nenhuma das datas e quiser um tour privado, também dê um alô.

Links para mais informações e para comprar seu ingresso:

Dia 20/7: https://www.facebook.com/events/1595997217100236/
Dia 06/8: https://www.facebook.com/events/100601007248413/
Dia 30/9: https://www.facebook.com/events/249469345540454/

Dança comigo


Nos acampamentos abaixo de 4 mil metros (2 na subida, 1 na descida), rolava um ritual maravilhoso antes de sairmos para o trekking do dia e assim que chegávamos no acampamento: muita dança e cantoria, levada pela equipe de apoio. Eram 15 minutos sem parar, pulando muito, batendo palmas e - quando possível - tentando cantar a letra junto.

A energia do grupo era impressionante, e nos dava um ânimo absurdo para seguir caminho ou para fechar o dia. Eles cantavam várias músicas, emendavam uma na outra, mas a que a gente sabia de cor era a famosa "Kilimanjaro song":

Jambo, jambo Bwana (Olá, olá senhor!)
Habari gani (Como você está?)
Mzuri sana (Muito bem)
Wageni, mwakaribishwa (Visitantes, vocês são bem vindos)
Kilimanjaro, hakuna matata (Kilimanjaro, não há problema!)

Tembea pole pole, hakuna matata (Ande devagar, devagar, não ha problema)
Utafika salama, hakuna matata (Você vai chegar bem, não há problema)
Kunywa maji mengi, hakuna matata (Tome muita água, não há problema)

Você pode ver essa música a partir do minuto 9:03 no vídeo abaixo, mas garanto que o vídeo todo é emocionante (eu e o Martin aparecemos bastante, dançando muito. Eu estou de jaqueta roxa, faixa azul na cabeça e rabo de cavalo). Esse foi o dia após o cume, a manhã da despedida. Começamos o dia assim antes de andar 20km rumo a saída, e antes de entrarmos no ônibus rumo ao hotel ainda rolou isso de novo, já era fim da tarde.

Pelo que entendi, esse "ritual" acontece em quase todas as expedições, mas nem todo mundo gosta de participar. Muita gente prefere ouvir e ver, e segundo eles os latino americanos são sempre os mais empolgados, que dançam junto. Que bom que meus companheiros de viagem entravam na dança (literalmente) e todo mundo aproveitava ao máximo essa oportunidade única.




Anônimo, você tem toda razão


No post anterior eu escrevi que chegar no cume do Kilimanjaro foi a coisa mais difícil que já fiz nada. Aí uma pessoa (anônima, uma pena) deixou comentário falando que essa afirmação é muito #classemédiasofre. Afinal, no mesmo post eu falo da equipe de carregadores e guias. O anônimo até mandou eu lavar uma louça (anônimo, quem lava louça em casa é a máquina, sou classe média!).

Mas olha, sabem que o anônimo tem razão? Certamente há coisas mais difíceis na vida do que encarar minha expedição Nutella ao cume do Kilimanjaro. Por exemplo, arrecadar dinheiro para uma instituição que abriga mulheres vítimas de violência doméstica. Essa tarefa é muito mais difícil. Não tem uma equipe inteira pra me ajudar e muito menos desperta interesse dos meus leitores.

Mas quem sabe, você anônimo, acha isso mais bacana e vai me dar um apoio? Estamos muito longe de alcançar a meta de arredação, e seu dinheiro vai fazer a diferença. Você pode doar usando esse link: bit.ly/womenlawa

Obrigada e até o próximo grande desafio! Mas aviso: ainda vai ter muito post do Kilimanjaro aqui, prepare seu armamento pra me encher o saco!


Kilimanjaro


Conseguimos. Nós subimos até o cume do Kilimanjaro (5895 metros de altura).Chegamos lá precisamente às 8:30 da manhã do dia 21/6. Começamos a expedição dia 16/6 e o avanço para o cume às 0h do dia 21.

Foi a coisa mais incrível e mais difícil que já fiz na vida. E toda a expedição foi muito especial. O grupo (e quando digo grupo não quero dizer apenas quem estava lá na mesma situação que eu, mas também a equipe que estava trabalhando para a gente: carregadores, cozinheiros e guias) funcionou muito bem. Além das longas caminhadas diárias e falta de ar na medida que íamos subindo, tínhamos também muita cantoria, dança, conversa, comida boa e troca de experiências.

A gente vai pra subir o Kilimanjaro e acaba ganhando umas sessões de terapia na jornada. Valeu, Kili!






Hakuna Matata!


Meu primeiro post direto da Tanzânia, 2 dias antes de darmos início a nossa aventura no Kilimanjaro. Estamos em Arusha, a internet do hotel é ruinzinha, mas queria passar aqui e dar um oi pra falar que o blog provavelmente vai ficar sem postagens nessa semana e na próxima.

Agora que estamos aqui é que caiu a ficha do que estamos prestes a fazer, e confesso que está me batendo uma ansiedade. Por isso estou achando ótimo termos esses 2 dias de preparação. Hoje demos uma passeada rápida pelo centro da cidade, e amanhã vamos fazer um passeio no Arusha National Park, onde provavelmente veremos um pouco de vida selvagem (me prometeram flamingos!!!).

Deixo aqui a foto que postei no Instagram, mais clichê impossível, do por do sol pela janela do avião, umas 2 horas antes de pousarmos.

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IELTS


Poucas coisas são tão retrógradas quanto provas (não provas de crimes, de teste de inteligência mesmo, hahahahahaha), e eu achava que a essa altura do campeonato estava livre delas. Passar numa prova não significa que você realmente manje do assunto (eu por exemplo não sabia dirigir quando passei no exame da carteir de motorista, e passei em muitas provas de química e física na escola porque escrevia a fórmula na sola do meu tênis), mas infelizmente acho que estamos longe de inventar um sistema de educação que seja mais inclusivo. Mas enfim, esse não é um post político, é um post sobre uma maldita prova de inglês que precisei fazer há algumas semanas, o IELTS.

Eu me candidatei para uma vaga em um mestrado (mais sobre isso em breve) e a universidade exige uma comprovação de que você sabe se comunicar em inglês (caso inglês não seja seu primeiro idioma, óbvio). Eu até tirei aqueles certificados de Cambridge pentelhos quando estudei na Cultura Inglesa, mas olha só, não me serviram pra nada. A universidade não aceitou, já que precisava que a comprovação tivesse no máximo 2 anos. Tentei argumentar, afinal trabalhei como editora de um site (escrevendo e editando em inglês) por 6 anos, mas não adiantou.

Tive que colocar o rabo entre as pernas e me inscrever para fazer o IELTS. E o pior: pagar as £160 de inscrição. Foi tudo meio em cima da hora, pois eu queria matar essa pane antes de viajar. Tive 2 semanas para me preparar, fazer uns simulados e entender as "manhas" da prova, que é dividida em 4 partes: reading, writing, listening e speaking.

A universidade exigia que eu tirasse uma média de 6.5 (a nota máxima do IELTS é 9), sendo que tinha que ser no mínimo 6 em reading, listening e speaking e 6.5 em writing. Ou seja, não adiantaria obter uma média 7 se meu writing fosse 5.5, por exemplo.

Bom, lá se foi um sábado perdido fazendo essa prova pentelha. Eu achei tudo relativamente fácil, menos a categoria que eu precisava da nota mais alta, o writing. Eles dão apenas uma hora para você fazer duas redações (escritas a mão), com temas chatíssimos. Há um número mínimo de palavras para cada uma das redações, e você tem que ter certeza de que o examinador vai entender sua letra. Então entre escrever (e usar as palavrinhas que garantem pontos, como "however", "therefore", "despite", "moreover", "first of all" e por aí vai), apagar e reescrever os garranchos e contar as palavras, mal dá tempo de bolar um texto decente.

Mas o resultado chegou e eu passei! Fui muito bem aliás. tive uma média de 8,  e no reading tirei a nota máxima, 9. No speaking e no listening tirei 8.5 (uma pena que não falam o que eu errei, pois eu achava que tinha tirado a nota máxima no listening também), mas no writing passei raspando: 6.5, exatamente o que a universidade pediu.

Mas enfim, mais um perrengue resolvido. 160 libras para provar que meu inglês é bom o suficiente pra eu voltar a estudar.

Engano seu


Nas últimas semanas, por coincidência, algumas pessoas vieram me falar que gostam muito desse blog aqui e que eu não deveria parar de escrever. Mas elas falaram como seu eu tivesse anunciado o fim do blog ou como se eu não publicasse nada há meses.

Gente, alô? O blog tá aqui, vocês é que não acessam o suficiente!

Leitura: The Mystic Masseur, VS Naipaul


Comprei esse livro há pelos menos 4 anos, e acho que ter esperado tanto para ler deveria ter fincionado como um sinal: se não leu até agora, deve ter uma razão!

Achei um saco. Resolvi ler inteiro porque é curto e tambem porque eu tinha a esperança de que fosse ficar mais interessante (afinal, o cara é Nobel né?), mas não.

Talvez eu devesse ter escolhido outro livro dele pra começar (senão me engano esse foi o primeiro que ele publicou), talvez a história seja muito mais engraçada se você conhece melhor o autor, ou se você é de Trinidad, sei lá.

Terminei de ler no metrô e deixei lá mesmo, pra alguém pegar e quem sabe apreciar mais do que eu.

Spectacles


Já não é novidade que eu adoro o Snapchat e provavelmente serei a última a sair de lá. Adoro a interação da rede e as pessoas que conheci por lá. E agora tenho mais uma razão para continuar me divertindo: tenho o Spectacles.

O Spectacles é um óculos de sol com uma câmera embutida, pra fazer snaps! Ele está a venda apenas nos Estados Unidos e já foi lançado há uns meses (mas claro que tem vários disponíveis no Ebay), mas o Martin esteve em Chicago semana passada e trouxe um pra mim.

O mais legal é que (eu acho) os óculos bem bonitos. Nada daquela coisa cafona do Google Glass. Você pode realmente usá-los como óculos de sol. Claro que é um tantinho mais pesado por causa da câmera e da bateria, mas ainda assim, nada que faça muita diferença no dia a dia.

Eu testei meus Spectacles quando fui correr, e deu super certo. E isso é ótimo, pois é impossível fazer Snapchat com o celulae enquanto você corre, mas com os óculos é bem tranquilo - só apertar o botão no aro e pronto, ele começa a filmar os 10 segundos. Outras pessoas que eu sigo no Snap e também tem os Spectacles já usaram eles pra andar de bicicleta, dirigir, fazer stand up paddle e andar de caiaque.

Tenho certeza de que jajá o dono do mundo Facebook aparece com algo do tipo...

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